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Menino Jesus

Sobre o Centro de Educação Infantil
Menino Jesus

História da Escola
    A inauguração do Centro de Educação Infantil Alaíde Lisboa de Oliveira aconteceu no dia 17 de julho de 2014, à Avenida Getúlio Vargas, 5.480 no Bairro Várzea. Em 14 de julho de 2018 a escola foi transferida para Rua Conde Dolabela, 1629, Bairro Várzea, Lagoa Santa - MG. Foi criado pelo Decreto Municipal nº 2.572 de 19 de setembro de 2013. Nos termos do Artigo 1º da Resolução SEE nº 170 de 29-01-2002, dos artigos 1º e 3º da Portaria CEE nº 443 de 02-08-2001. Fica autorizado o funcionamento da Instituição, publicado em 21-12-2013, com objetivo de atender a Educação Infantil, cuja demanda do Bairro Várzea e adjacências é elevada. O Centro de Educação Infantil Alaíde Lisboa de Oliveira terá sua sede definitiva no Bairro São Geraldo.
O Centro de Educação Infantil Alaíde Lisboa de Oliveira atenderá as crianças de 0 à 5 anos de idade, na modalidade de Educação Infantil: Creche - Berçário, Maternal I, Maternal II, Maternal III e Pré-escola – Infantil I e Infantil II. Atenderá inicialmente somente a Creche. As demais turmas serão atendidas na Sede definitiva. A mantenedora é a Secretaria Municipal de Educação de Lagoa Santa, localizada em Minas Gerais.
O nome do Centro de Educação Infantil é uma homenagem a ilustríssima escritora Alaíde Lisboa de Oliveira. A Instituição leva este nome gracioso, pela honra à história e zelo que a Sra. Escritora Alaíde Lisboa de Oliveira, sempre empenhou ao longo de sua trajetória de vida à Educação. Alaíde nasceu em Minas Gerais, na cidade de Lambari em 22 de abril de 1904, a escritora ficou conhecida em 1938, quando lançou o livro: “A Bonequinha Preta”. Obra inovadora para a época que destacou até em dramatizações. Ao todo foram 31 livros publicados e mais de dois milhões de exemplares vendidos. 
Alaíde conquistou um lugar na Academia de Letras, deu aulas na UFMG e em 1947, foi eleita a primeira vereadora de Belo Horizonte, além de ser jornalista. Sempre demonstrou compromisso, carinho e responsabilidade pública e nunca perdeu a modéstia! Alaíde Lisboa morreu em casa, devido a uma pneumonia no dia 04 de novembro de 2006, em Belo Horizonte, onde foi sepultada. Conhecendo um pouco de seu contexto, observamos que a memória de Alaíde foi eternizada, como ela mesma dizia que queria ficar para semente, seu desejo foi realizado, ao conhecer um pouco de sua história e seus escritos rememorarmos a nossa infância e destacamos com simplicidade deste período particular e singular. Onde ousa-se da inocência para demonstrar valores imensos e formativos de caráter para com cada leitor e coparticipante no processo educativo vinculado principalmente à Educação Infantil.
Pensar em homenagear Senhora Alaíde nomeando esta instituição Infantil com seu nome é semear seus ideais de pureza, conhecimento, cuidados, alegria e educação com qualidade às nossas crianças. E por concebermos a educação como valor indispensável nos propõe a uma pedagogia que leve à formação integral e permanente do nosso aluno, buscando a construção de um ser humano melhor consigo mesmo e com os outros, que possa entender e conviver com a pluralidade e diversidade do tempo atual.  Hasteando a bandeira de nossa homenageada em obter eficiência do ensino atrelada ao conhecimento dos métodos e técnicas, bem como das habilidades em sua aplicação.



A história de criação do Creche Nossa Senhora de Belém  antecede aos ideais da ampliação do programa de atendimento à Centro de Educação Infantil Menino Jesus em Lagoa Santa, trabalho de iniciativa da Congregação Nossa Senhora de Belém, através do trabalho dedicado de Madre Maria Helena Cavalcanti. 

Uma das primeiras Irmãs que chegaram para fundar a primeira creche Municipal em Lagoa Santa – MG

Muitas mães apresentavam situação financeira de renda baixa, necessitando trabalhar fora e não havia local para as crianças na idade de 2 a 6 anos. Apenas Jardins de Infância em algumas escolas Municipais a partir dos 5 anos e algumas Creches particulares. 

A Creche Nossa Senhora de Belém foi a primeira no Município. Não havia creches da Prefeitura. As escolas Municipais a partir de 6 anos completos, algumas creches particulares. A esposa do então Prefeito Dr. Lindouro Avelar manifestou desejo de que houvesse Creches no Município administrada por religiosas.

Após um convite do prefeito à nossa fundadora, Madre Maria Helena Cavalcanti, para a Fundação de uma Creche na Cidade através de uma ex-aluna de nossa Madre, sra. Valderez Valle, fomos enviadas eu e outras duas Irmãs. As duas ficaram em sala de aula, e eu na Coordenação Geral da Creche. Naquela época havia 60 vagas para crianças de 2 a 6 anos.

O prédio era da Escola Municipal Melo Teixeira, que foi para um outro local no mesmo Bairro. Na fase inicial fomos seis Irmãs, as três que ficariam lá, e outras Irmãs assessoras da Congregação: uma médica, outras duas com formação pedagógica e de assistência social. Visitamos o local e após uma reunião com a assessoria da Prefeitura chegamos à conclusão de que necessitaria de obras pois as paredes do prédio escolar seriam muito quentes para que uma criança ficasse ali praticamente 10 horas por dia. Dr. Lindouro Avelar, Prefeito da Cidade na época, permitiu então que fossem feitas todas as reformas possíveis para que assim então pudesse funcionar. Nós Irmãs ficamos naquele ano de 1986 visitando o Bairro Santos Dumont, cadastramos 500 famílias que tinham filhos na idade que a creche acolheria. Ficamos preocupadas até como seria a procura. Porém como tudo era muito novo na época das inscrições o número de interessados foi menor que as vagas (60), depois então do começo das atividades em fevereiro de 1987, a procura começou a crescer e logo tivemos que fazer filas de espera. As mães então que não trabalhavam não tinham chance de obter vaga, e as que perdiam o emprego dávamos um prazo para encontrar em outro local de trabalho se não tínhamos que passar a vaga.

A Congregação de Nossa Senhora de Belém possui uma pedagogia própria baseada no salmo 66: ”Senhor ensina-me a bondade, o conhecimento e a disciplina”. As Irmãs com orientação de nossa Madre proporcionavam cursos de formação para os profissionais, e funcionários como um todo. Nossa Madre nos diz: 

“Esses três ingredientes: Bondade, Ciência e Disciplina numa relação equilibrada constituem uma sábia receita de formação da personalidade. Vejamos: A Bondade sem a Ciência é às vezes uma boa intenção sem bons resultados, pois as luzes do conhecimento evitam muitos males da ignorância. Por sua vez a Ciência, o conhecimento e sem a bondade às vezes se transforma em arrogância, incompreensão e intolerância. A Bondade sem a Disciplina pode degenerar em fraqueza, permissividade. Até as plantas precisam ser disciplinadas. Todavia a disciplina não pode ser encarada como algo que oprime e reprime, mas uma canalizadora das energias positivas. Não basta ter boa vontade. É preciso ter força de vontade. Edson quando o elogiavam dizia: para 1% de talento acrescento 99% de esforço. Tagore acrescenta: o homem foi feito para superar-se. Por outro lado, a Disciplina sem a Bondade é tirania: sufoca a criatividade e a espontaneidade. Trabalhemos para possuir uma bondade esclarecida, um conhecimento humilde, sem preconceitos e uma disciplina amorosa. ”

Neste trabalho contávamos também com uma equipe composta por: assistente social, enfermeira, pediatra, psicóloga e dentista.

As crianças possuíam atividades pedagógicas de rotina no horário da manhã com professoras e auxiliares. No horário da tarde havia o banho e outras atividades mais livres, porém orientadas com as auxiliares de turma. O trabalho com a equipe de profissionais era semanal, a exceção da enfermeira que prestava serviço diariamente. Faziam quatro refeições diariamente.

As atividades sempre foram planejadas. As reuniões eram semanais, além dos cursos de formação periodicamente. O planejamento era realizado com os professores e auxiliares em horários em que era possível a maioria participar. Os que não participavam eram informados depois (havia uma escala, pois, as crianças não podiam ficar sozinhas, eram realizados no horário do sono das crianças).

A avaliação se dava através de um relatório de observação criado para cada grupamento por idade. Os professores preenchiam e nas reuniões de responsáveis os mesmos tomavam ciência e assinavam.

Além das atividades de rotina havia as festas comemorativas: Carnaval, Páscoa, Mães, Forró da Creche (festa na rua que se tornou tradição durante vários anos), primavera, e fim de ano (auto de Natal e despedida dos que iam sair). Também os passeios em vários locais da Cidade e também em Belo Horizonte, bingos com as famílias, reuniões de responsáveis com pessoas capacitadas onde havia formação e informação para diversos assuntos, etc…

O trabalho era grande, mas guardamos a lembrança de um tempo feliz impregnado de amor, colaboração de todos, amizades verdadeiras, tudo iluminado pelo ideal de servir às crianças e famílias.

O objetivo das festas, além de proporcionar atividades diferentes e culminância dos projetos desenvolvidos, era também de envolver e integrar a comunidade escolar e o Bairro. Eram sempre pensadas pelo Conselho consultivo da Creche e a equipe pedagógica depois ampliada para a comunidade escolar. Todos participavam e colaboravam: funcionários, responsáveis, a comunidade local e comerciantes da Cidade como um todo participavam nas doações.

Respondendo à pergunta sobre como era a compreensão de “castigo” na primeira década de funcionamento da creche, quanto a este assunto era tratado sempre através de conversas. Em primeira instância na sala de aula e depois era levado à secretaria (o que se evitava para não tornar rotineiro). Evitávamos sempre não só a palavra e qualquer outra forma de “castigo”, além de tudo havia no Bairro um grupo que não queria que a Irmãs fossem para administrar a Creche e a primeira ideia que se passava era que as freiras iam castigar. Tivemos que mostrar o contrário. E graças a Deus conseguimos. 

Duas festas religiosas abertas à comunidade: em maio a Coroação de Nossa Senhora e em dezembro o auto de Natal. As duas festas eram comunicadas aos pais e aqueles que não quisessem ficariam à vontade para não levar os filhos. Com as crianças procurávamos prestar atenção naquelas cujas religiões seriam diferentes da Católica. As visitas que fizemos no ano de 1986 já nos permitiu conhecer bastante sobre estas famílias. Nunca tivemos nenhum tipo de problema quanto a estas atividades. Pelo contrário, muitos, de outras religiões, participavam de forma muito tranquila.

As crianças eram muito agitadas. Havia muitos que passavam necessidades, especialmente a fome. O Parque de Material da Aeronáutica colaborou durante alguns anos enviando diariamente de segunda a sexta-feira a comida que sobrava do ‘Rancho’. As famílias faziam filas com panelas e nós distribuíamos. Não guardávamos para as crianças até por questão de prudência, pois a comida das crianças era sempre feita no dia. Os momentos de mudança política na Prefeitura por vezes nos atingiam, mas conseguimos objetivar nossos ideais.

Segundo relato dos próprios pais e também da Sra. Marlene, na época diretora da escola Melo Teixeira, as crianças que saiam da creche e ingressam na escola Melo Teixeira apresentavam já um jeito diferente. Aos poucos, segundo os relatos, o Bairro foi se transformando. O Bairro Santos Dumont, em tempos anteriores a Creche, chegou a ser chamado de “Pau comeu”.

Crianças e famílias mais calmas, mais tranquilas. Aos poucos a comunidade local foi valorizando o trabalho. Famílias de classe média que visitavam a Creche queriam colocar seus filhos. Gostavam de ver a limpeza, a tranquilidade no trabalho e a alegria apresentada pelas crianças.

Foi um trabalho muito edificante. A visita às famílias no ano de 1986 foi fundamental para que as pessoas nos conhecessem, e nós, a eles. Inclusive visitamos os locais de culto ou religiões diferentes da católica e nos apresentamos. O trabalho me proporcionou um grande conhecimento e crescimento. Um trabalho como esse necessita de muita seriedade dos profissionais além de uma integração dos diversos setores que acompanham e integram. A última tarefa antes de deixar as atividades em março de 1999 foi uma reunião com a presença de representantes da Secretaria de Saúde, Secretaria de Educação e Gabinete do Prefeito. Estavam aparecendo muitos escorpiões dentro da Creche. Isso foi nos preocupando muito. Depois de termos certeza de que o foco não era interno solicitamos esta reunião. Ali foi possível chegar à seguinte conclusão: aos sábados (por rua do Bairro) os moradores faziam a limpeza do quintal, os caminhões de lixo passavam por ali especialmente para a limpeza daquela rua específica. Na semana seguinte o grupo de Saúde na Família fazia a visita nas casas. Aquelas que não quisessem aderir a limpeza poderiam receber uma multa. Foi assim que sanamos o problema, que me chegou a tirar algumas noites de sono. Nunca mais tive notícias que o problema tivesse voltado. 

Agradeço a Deus e a nossa Madre me proporcionarem essa experiência, não só de um trabalho interno com as famílias, a educação das crianças especificamente, mas a experiência social tão edificante. Deus seja louvado. Se fosse necessário começaria novamente.