Escola Municipal
Odete Valadares

Sobre a Escola Municipal
Odete Valadares

História da Escola

A ESCOLA MUNICIPAL ODETE VALADARES situada à Rua Edgar Alcântara, 88 – Bairro Lagoinha de Fora – Lagoa Santa, foi oficialmente reconhecida em 1976 pela Lei Municipal nº. 328/76 de 26 de outubro de 1976, oferecendo o Ensino da Educação Infantil, Ensino Fundamental (1º ao 5º ano) e Educação de Jovens e Adultos (1º Segmento).

O nome da ESCOLA MUNICIPAL ODETE VALADARES, visa homenagear a senhora Odete Valadares, esposa do governador Benedito Valadares que, em 1947 no mandato do Prefeito Dr. Lindouro Avelar, doou verbas para construção de escolas. Com a ajuda dos moradores do bairro, colaborando na confecção de tijolos e mão-de-obra teve início a construção da escola e, como agradecimento pela verba recebida, o Dr. Lindouro Avelar homenageou a esposa do governador e deu nome à escola de: Escola Municipal “Odete Valadares”.

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Conforme Regimento Escolar

A proposta…

A equipe pedagógica da Escola Municipal Odete Valadares através da Educação Patrimonial reforça e busca nossos  referenciais socioculturais. Educamos nosso olhar e nossa percepção para compreender os caminhos que  percorremos enquanto cidadãos. Educando nosso olhar para o patrimônio para  aprendermos a valorizar e proteger a nossa História.

Tendo em vista a Semana de Educação Patrimonial, na sua segunda edição, como consta no calendário  escolar de 2022, e sabendo que Lagoa Santa é vitrine no que tange a questão de patrimônio cultural  para o Brasil e o mundo, decidimos mostrar aos nossos alunos e a toda a cidade a riqueza cultural presentes no entorno do nosso bairro, Lagoinha de Fora, e assim, conscientizá-los para a preservação de nosso patrimônio.

Partindo desse princípio, nosso objetivo é levar aos alunos a história  da cidade de Lagoa Santa, focando no bairro onde eles estão inseridos. Sobretudo, sobre a história da Escola  Odete Valadares e da Fazenda São Sebastião, a fim de conhecer, valorizar e se apropriar da  história da nossa região, fortalecendo a educação patrimonial e valorização de sua herança  cultural.

 

A Fazenda São Sebastião e o bairro Lagoinha de Fora

Texto gentilmente cedido por Cleito P.
Ribeiro – Historiador (CAALE) e Rosângela Albano – Arqueóloga (CAALE).

 

A história do bairro Lagoinha de Fora, Lagoa Santa/MG está umbilicalmente ligada à história da Fazenda São Sebastião, tendo sua gênese decorrente dos desmembramentos desta, iniciados nos últimos decênios do século XIX, com a morte de seu proprietário, o Major Frederico Antônio Dolabella, a 22 de abril de 1884, aos 69 anos de idade. 


 A Fazenda São Sebastião

O Major Frederico A. Dolabella veio a Minas Gerais integrando as tropas do Império, sob comando do então Barão de Caxias, Luís Alves de Lima e Silva, que tinha por objetivo sufocar o movimento armado de bandeira liberal que estourou em Minas por volta de 1842, último reduto do movimento já debelado em São Paulo nesse período.

O Major Frederico acabou por se estabelecer em definitivo em Lagoa Santa após o término da contenda, “depois de receber do imperador uma sesmaria, cujas terras ficam na margem esquerda do rio das Velhas (…) cortadas por uma estrada que leva a Lagoa Santa, cujo seguimento é a atual rua Conde Dolabella. O caminho começa no rio e ficou conhecido como Estrada do Imperador, tendo recebido a denominação porque por ela passou d. Pedro II, em 1881”.[1]

A fazenda São Sebastião “era porto estratégico do Rio das Velhas, pouco antes de Santa Luzia, e possuía centenas de alqueires (…) suas divisas percorriam as barrancas do Rio das Velhas, desde a foz do Ribeirão da Mata. Prosseguiam por este acima, até o córrego da Joanna Marques e continuavam até a Fazenda dos Pilões. Seguiam pelo vale, até a região da Serrinha, do Pica-pau e do Lobo, e pelo córrego, até encontrarem novamente o Rio das Velhas. A fazenda abrangia, assim, toda a região da atual Lagoinha de Fora.”[2]

A construção do sobrado, sede da Fazenda São Sebastião, data aproximadamente de 1851. Quando do término de seu segundo pavimento, foi instalada uma mesa de jantar enorme com aproximadamente 40 lugares, elevada a esse através de andaimes. Quando nos tempos atuais ela foi remanejada, procedeu-se seu desmonte. A sede possui em seu interior uma capelinha devotada a São Sebastião. Nos arredores do casarão situava-se, ainda, o engenho e uma grande senzala.

No período inicial de suas atividades, criava-se gado, plantava-se algodão, milho e cana-de-açúcar, mantendo-se uma produção considerável de aguardente, rapadura e açúcar. Cabe registrar que o naturalista inglês Sir Richard Burton, autor do célebre “De canoa de Sabará ao oceano Atlântico”, descreveu, já no terceiro quartel do século XIX, a paisagem magnífica dos algodoais da Fazenda São Sebastião.

Posteriormente, já no período “Dolabella Portela”, praticava-se a agricultura variada, criação de gado, constituindo-se num empreendimento “empresarial”, agora com um grande plantel de funcionários. No início dos anos 50, já no século XX, a fazenda teve sua posse transferida para o Sr. Helio Lodi. Nesse período a atividade principal passou a ser a produção leiteira, secundada pela suinocultura, plantação de milho e soja.

Nos tempos atuais a Fazenda pertence às irmãs Renata e Vitória Rabello, que o administram, bem como o Centro Hípico Junia Rabello, notório nacionalmente por seu plantel e pela participação lustrosa em eventos nacionais e internacionais.

A Família Dolabella e as ramificações

Em Lagoa Santa, então distrito de Santa Luzia, exerceu diversos cargos de natureza política, como juiz substituto, delegado de polícia, delegado de instrução pública, subdelegado, major da Guarda Nacional e vereador, compondo também o rol de eleitores qualificados da Província de Minas Gerais. Conservador, foi assim descrito num necrológio publicado no extinto A Província de Minas Gerais: “suas crenças políticas forão, ate à sua morte, aquellas que bebeu na escola do finado conselheiro Luiz Antonio Barbosa, de saudosa memória. Firme, intransigente e inabalável, conseguiu com aguns amigos crear o partido conservador na Lagoa Santa e eleval-o à altura em que se acha, sendo por sua conducta ilibada, amado e respeitado, pelos próprios adversários.”[3]

Frederico Antonio Dolabella, segundo árvore genealógica da família, datada de 1910, casou-se com Anna Francisca de Mello, com quem teve 10 filhos: Joaquim, Maria, Ernesto, Francisca, Odorico, Frederico, Antônio, Florisbela, Malvina e Altina. Com o falecimento de sua esposa Anna Francisca, contraiu segundas núpcias com sua cunhada, irmã de sua esposa, Maria Rosalina de Oliveira, com quem teve 9 filhos: Ludgero, Adélia, Horácio, Pedro, Adélia, Horácio, José, João e Jaime. Quando do seu falecimento, deixou viúva e 16 filhos.

Uma de suas netas, Maria Correa Dolabela, filha de Adélia, 15ª filha do Major, já da prole de seu segundo casamento, viria a se casar, em fins do século XIX, com Virgílio Albano da Costa, da Fazenda Januária, Ribeirão da Mata, contígua à Fazenda Sebastião, dando origem ao tronco dos Albano, de Lagoa Santa e, também, à Fazenda Vereda.

Por sua vez, assim como a Fazenda Veredas, o povoado de Lagoinha de Fora tem, também, sua história atrelada à Fazenda São Sebastião, distando cerca 3 km da sede da mesma. O topônimo tem sua origem ligada à existência de uma dolina na região, denominada “Lagoinha”. O local atraiu, desde tempos mais antigos, moradores para a região. 

Segundo depoimento do Sr. Nicomedes Costa, quando Peter Wilhelm Lund chegou à região de Lagoa Santa, em 1835, sua bisavó, Sabina da Costa, residia, já nessa época, na Lagoinha de Fora. Ela relatava à sua filha, Tereza da Costa, histórias sobre a chegada de Peter W. Lund e seu cotidiano em Lagoa Santa.

Com a promulgação da Lei Áurea, em 1888, o povoado recebeu quatro famílias importantíssimas na história de sua ocupação: Cornélio Santiago, Paula da Costa, Santiago e Torquato. Esses moradores eram originários da localidade de Andreguece, próximo a Pinhões do Barreiro do Amaral, município de Santa Luzia. No início do século XX vieram outros, como a família Alves, Batista e Romão.



Já no início do século XX, por volta de 1912, a Fazenda São Sebastião foi dividida formalmente entre os herdeiros do Major Frederico Antônio Dolabela. Na ocasião, Adélia Antonina Dolabella, filha do Major Frederico e mãe de Maria Correa Dolabella, destinou oficialmente aquela gleba como patrimônio de Santo Antônio.



A religiosidade da comunidade sempre foi muito evidente. Por volta de 1906, segundo informe do Sr. Joaquim Hilário Fernandes (já falecido), conhecedor em boa medida de toda evolução do povoado foi erguido no ponto mais alto da localidade um cruzeiro, onde as pessoas rezavam e faziam suas penitências, como carregar pedras na cabeça, pedindo a intercessão divina por chuvas. Eram também celebradas vigílias natalinas e festejos de Santa Cruz.



Em 1910 foi realizada a primeira festa de Santo Antônio no cruzeiro, organizada pelo Sr. Antônio Carvalho, procedente da Fazenda do Cume, no município de Caeté. Segundo relato de antigos moradores, ele alcançou uma graça do Santo Antônio e, por isso, cumpriu a promessa de celebrar o Santo.



Por volta de 1912, o Sr. João da Costa, nascido em 1878, convocou os demais moradores que tinham liderança no povoado para construírem uma capelinha em louvor de Santo Antônio. Com providencial ajuda do Conde Dolabella, a capela foi construída e inaugurada por volta de 1916, passando a ser filial da Matriz de Nossa Senhora da Saúde de Lagoa Santa. Na década de 90, passou a pertencer à Matriz de São Sebastião, no Bairro Várzea.

As Lendas da Fazenda São Sebastião

 

Como boa parte das antigas fazendas mineiras, a Fazenda São Sebastião integra, ainda, o imaginário local, sendo rodeada de lendas. Dentre elas a mais interessante é a do famosa história do “boi Falou”. Segundo relatos, que sobrevivem ainda no imaginário de muitos, notadamente os moradores mais antigos da região, o senhor da fazenda era muito rigoroso e, na Sexta-Feira da Paixão, em virtude da devoção que era também comum aos escravos, decidiram por parar as atividades do eito. Quando ele, o proprietário, percebeu a interrupção da lida, ordenou que todos voltassem de imediato ao serviço. Porém o boi que movia a moenda do engenho mugiu: “hoje num trabaio não”.

A lenda correu de boca em boca pela redondeza, ficando a fazenda conhecida pelos antigos como a Fazenda que o boi falou. Há relatos também de que uma ex-escrava, de nome Paula, sempre no dia 13 de maio se rebelava contra o patrão, abandonava a lida, isolando-se num canto, irremovível e respondendo a todas as tentativas: “hoje é mo dia e num vou trabaiá”.

[1]https://sumidoiro.wordpress.com/2014/09/01/pedro-ii-santa-luzia-congonhas-nova-lima-morro-velho-vermelho-serra-curral-arraial-rio-velhas-roca-grande-carreira-comprida-macaubas-modestino-franco-frederico-dolabela-borba-gato-chica-silva-araujo/

[2] MENDONÇA, Paulo C. Lagoa Santa, sua história e sua gente. Lagoa Santa, MG: Edições Garimpo, 2006, pgs. 42 e 43

[3] A Província de Minas Gerais – Órgão do Partido Conservador. Ano IV, n° 206, 15 de maio de 1884, pg. 03 

Ações desenvolvida na escola com os alunos

A visita… 

O presente trabalho visa oportunizar às crianças uma aprendizagem que vai muito além das quatro paredes de uma sala de aula. O “Programa de Educação Patrimonial” possibilitou adentrar às crianças em uma realidade concreta de forma lúdica e prazerosa, própria para a idade em que elas estão.

A visita à Fazenda São Sebastião foi rodeada de expectativas e euforia, uma vez que foi despertado a curiosidade nas crianças com o tema “fazenda” através de rodas de conversa, leituras de histórias, registros, livros, vídeos e músicas.

Tendo em vista que a Fazenda São Sebastião é parte do patrimônio da nossa cidade, o projeto deu-se início a partir da leitura do livro “Fazenda Amigável” em que as crianças começaram a se familiarizar com o tema. Assim, todo o trabalho foi feito, ligando realidade à fantasia. A culminância desse trabalho se deu com a elaboração do Portfólio, retratando a beleza imensurável da Fazenda São Sebastião.

As atividades…

Rabiscos, cores e texturas, uma arte que encanta e desperta, não só para o acaso, mas direcionando à abrangência de alguns campos de experiências estruturados pela BNCC:

  • Eu, o outro e o nós (EI02EO04) – Comunicar-se com os colegas e adultos, brincando compreendê-los e fazendo-se compreender.
  • Corpo, gestos e movimentos (EI02CG05) – Desenvolver progressivamente as habilidades manuais, adquirindo controle para desenhar, pintar, folhear, rasgar, entre outros.
  • Traços, sons, cores e formas (EI02TS02) – Utilizar materiais variados com possibilidades de manipulação (argila, massa de modelar, explorando cores, texturas, superfícies como: jornal, papelão, caixas, chão, madeiras, planos, formas e volumes ao criar objetos tridimensionais.
  • Escuta, fala, pensamento e imaginação – Imitar vozes de animais personagens de histórias contadas ou lidas; reconhecer e nomear as letras do próprio nome e algumas letras de nomes de colegas (maiúscula).
  • Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações (EI02ET07) – Contar oralmente objetos, pessoas, livros etc., em contextos diversos. Demonstrar respeito por si, pelos outros, pelos demais seres vivos e pelo ambiente em que vive.

Assim, foi constituído o projeto “Educação Patrimonial”, específico da escola, com a turma do Maternal. Um misto de aventuras e descobertas entrelaçados na pureza de quem ainda está descobrindo o mundo, mas onde já pode ser incutido os sensos de cuidar e respeitar.